O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, anunciou que o partido vai abrir procedimento interno contra os prefeitos Flávia Moretti, de Várzea Grande, Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, e Sérgio Machnic, de Primavera do Leste, após os três declararem apoio à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao governo.

Ele afirmou que o caso já foi encaminhado ao jurídico da sigla, que prepara portaria para instaurar o procedimento. Os prefeitos terão direito à defesa e, ao final da apuração, o relator poderá recomendar a expulsão dos gestores.

“Esse procedimento é para analisar a conduta deles e aí o relator faz o relatório e eu, se eu fosse relator de algum caso, como esse, eu relatava pela expulsão”, afirmou.

A decisão ocorre em meio ao racha que foi provocado no partido em torno a eleição ao governo. O PL lançou o senador Wellington Fagundes como candidato, enquanto os três prefeitos optaram por apoiar Pivetta.

Ananias disse que não vê problema em um integrante do partido manifestar uma posição diferente, mas criticou os prefeitos por não terem se desfiliado antes de declarar apoio a outro candidato.

“Eu não acho ruim a pessoa se posicionar, eu só acho ruim a pessoa não ter hombridade de chegar no partido e falar, olha, eu vou me afastar do partido, eu vou desfiliar do partido e vou apoiar outro candidato”, disse.

O presidente do PL também afirmou que os prefeitos traíram a legenda por utilizarem a estrutura para conquistar os mandatos e, por isso, deveriam ter deixado o partido antes de apoiar um adversário.

“Lógico, eu vejo isso dessa forma, porque quem usa o partido pode até discordar do rumo que o partido está dando, mas ele que usou toda a estrutura do partido, recebeu recurso público que é público, mas que é destinado por delegação aos partidos, ele deveria ter a hombridade de falar, poxa, eu tive essa estrutura, eu tive esse apoiamento e agora eu acho que eu vou retribuir. Mas cada um responde pelos seus atos”, declarou.

Apesar da possibilidade de expulsão, Ananias ressaltou que o procedimento não foi aberto especificamente com essa finalidade. Segundo ele, primeiro será analisada a conduta dos prefeitos e, posteriormente, o relator apresentará um relatório.

A expectativa é que o processo seja resolvido em até 60 dias. “Abrir o procedimento, dá-lhe o amplo direito de defesa, que é normal aí, nesses 30, 40 dias, 60 dias, resolve”, afirmou.

Questionado se a abertura dos processos poderia enfraquecer o partido, Ananias descartou a possibilidade e afirmou que medidas semelhantes já foram adotadas anteriormente.

“Já, isso é natural. Isso é igual a unha encravada, todo ano tem”, comentou.