Durante a audiência de instrução e julgamento realizada em 19 de agosto, na 14ª Vara Criminal de Cuiabá, as defesas técnicas dos policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Leandro Cardoso e Wekcerlley Benevides de Oliveira apresentaram pedidos formais para a revogação de suas prisões preventivas.

Os réus, integrantes do Batalhão de Rotam, são acusados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso de envolvimento no homicídio de Walteir Lima Cabral e em duas tentativas de homicídio ocorridas em 12 de julho de 2024, no bairro Pedra 90, em Cuiabá. O caso tem relação ainda com a morte do advogado Renato Nery. O juiz de direito João Bosco Soares da Silva concedeu prazo para que o órgão acusador se manifeste sobre as solicitações de liberdade.

Os fatos que fundamentam a denúncia ocorreram por volta de 01h00min do dia 12 de julho de 2024, no Contorno Leste, próximo ao bairro Pedra 90. Segundo a peça acusatória do Ministério Público, os réus atuaram em concurso de pessoas para desferir disparos de arma de fogo contra Walteir Lima Cabral, que faleceu, além de tentarem tirar a vida de Pedro Elias Santos Silva e de Jhuan Maxmiliano de Oliveira Matsuo Soma.

O Ministério Público aponta que os militares teriam forjado uma situação de confronto armado para encobrir suas ações e ocultar a relação do evento com outro crime de grande repercussão, o assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ocorrido em 5 de julho de 2024. De acordo com exames periciais balísticos constantes nos autos, a mesma pistola Glock G17, calibre 9mm, com número de série VPL 521, foi disparada em ambas as ocorrências.

A restrição de liberdade dos policiais tem sido alvo de uma série de recursos e decisões divergentes ao longo do processo criminal. Inicialmente, os réus obtiveram o direito de aguardar o julgamento fora da prisão. Essa situação de liberdade provisória foi mantida pelo Tribunal de Justiça estadual, mas acabou revertida em âmbito federal.

O Ministério Público recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde a ministra relatora Maria Marluce Caldas, em decisão monocrática proferida em 11 de fevereiro de 2026 e publicada em 18 de fevereiro de 2026, determinou o restabelecimento da prisão preventiva de todos os acusados. Em cumprimento a esse decreto da corte superior, os mandados prisionais foram executados em 23 de junho de 2026.

Durante a sessão de audiência mais recente, conduzida pelo magistrado titular João Bosco Soares da Silva, as defesas técnicas dos acusados voltaram a pleitear a soltura imediata de seus representados.

Diante das novas manifestações defensivas, o representante do Ministério Público, promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, requereu tempo para analisar as alegações e emitir o parecer formal do órgão acusador sobre os pleitos.