Alvo da Operação H
eritage, ex-secretário recorre à Bíblia para sustentar que é vítima de pressão e de acusação injusta
A saída de Mauro Carvalho da Casa Civil ganhou ares de Via-Sacra nesta terça-feira (11.08). Alvo da Operação Heritage, o ex-secretário não economizou na comparação ao anunciar a renúncia: evocou ninguém menos que Jesus Cristo.
“Mesmo sabendo da inocência de Jesus, Pilatos o condenou porque não suportou a pressão das pessoas”, afirmou.
Na parábola de Carvalho, ele parece já ter reservado para si o papel do injustiçado. Só esqueceu de revelar quem seria Pôncio Pilatos: Otaviano Pivetta, a Polícia Federal ou a pressão política que tornou sua permanência no cargo insustentável?
Carvalho nega qualquer participação no acordo de R$ 308,1 milhões entre o Estado e a Oi e desafia que apresentem provas de que ele ou suas empresas receberam recursos da operação investigada.
A PF chegou a pedir seu afastamento, mas o ministro Flávio Dino negou a medida. Ou seja, Mauro não foi “condenado” a deixar o cargo: renunciou.
No fim, saiu da Casa Civil sem ordem judicial para sair, mas com uma narrativa de martírio pronta. Só faltaram a cruz e a auréola.












