Alcino Barcelos levantou suspeita sobre a operação realizada a poucos dias das eleições e afirmou que valor encontrado em sua residência não estava escondido

Após ter uma bolada em dinheiro apreendida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), hoje (25), em operação que investiga supostas irregularidades relacionadas a contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda (a 444 km de Cuiabá), entre 2017 e 2024, o ex-prefeito e candidato a deputado estadual Alcino Pereira Barcelos (PL) criticou a atuação dos investigadores e do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e levantou suspeitas sobre as investigações realizadas a nove dias das eleições.

Nas redes sociais, Barcelos negou irregularidades e disse que o dinheiro encontrado em sua casa não estava escondido e não é sujo.

“Estava em uma agenda em Mirassol D’Oeste e hoje cedo a polícia foi na minha casa, faltando 10 dias para a eleição. Estamos entre terceiro e quarto lugar, nas pesquisas. Por que não foram antes? Para não dar tempo de se defender? É isso que me deixa triste com esse país. Estão usando a Justiça para fazer injustiça”, disse o ex-prefeito.

“O dinheiro que eu tenho em casa estava no meu quarto, não estava escondido. Se fosse dinheiro sujo não estaria lá”, acrescentou.

 

Alcino foi alvo do MPMT e do Naco nesta manhã, após terem sido identificados sete contratos entre a administração municipal e a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. Cinco deles foram celebrados entre 2022 e 2023 e somaram aproximadamente R$ 4,7 milhões. Com atualização monetária, o montante chega a cerca de R$ 5,7 milhões.

O Ministério Público também aponta a existência de possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e pessoas ligadas às empresas envolvidas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teriam identificado movimentações financeiras consideradas suspeitas pela investigação.

Outro ponto citado na investigação é a compra da propriedade rural Estância Rancho Fundo I por Alcino Barcelos.

Segundo a apuração, a negociação previa pagamento mediante a entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore. Os investigadores afirmam que não encontraram registros oficiais de movimentação pecuária que fossem compatíveis com a transação.

As medidas autorizadas pela Justiça incluem buscas e apreensões, acesso a dados telemáticos, quebra de sigilos bancário, fiscal e financeiro e indisponibilidade de bens, direitos e valores. A ação conta com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado.