Saulo Tarso Rodrigues teria assediado, insistido em manter contato e feito ameaças à estudante

O afastamento do professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, foi motivado pela denúncia de assédio contra uma aluna do curso de Direito, no campus de Cuiabá. Em nota, a universidade informou que um processo administrativo apura as condutas denunciadas contra o docente, que, além de assediar a estudante, teria insistido em manter contato com ela e feito ameaças.

De acordo com a UFMT, o afastamento de Saulo Tarso Rodrigues, publicado na sexta-feira (24) pela Reitoria da instituição, é cautelar e visa resguardar a aluna.

“O afastamento cautelar foi adotado para resguardar a estudante, preservar o ambiente universitário e garantir que a apuração dos fatos ocorra de forma imparcial e com a segurança necessária para todas as partes”, diz trecho da nota.

Conforme documentos obtidos pela reportagem, a vítima registrou um boletim de ocorrência relatando que o contato com o professor teve início em fevereiro de 2026. Segundo ela, a relação entre os dois era, inicialmente, apenas de professor e aluna, considerada normal.

Contudo, com o passar do tempo, Saulo Tarso Rodrigues passou a oferecer caronas e convidar a estudante para sair após as aulas. Ele também enviava mensagens chamando-a para tomar vinho e sentava-se ao lado dela durante as aulas, tratando-a de forma diferente dos demais alunos.

Em uma das mensagens destinadas à aluna, o professor teria dito: “você fica bem de vermelho”, causando desconforto à estudante. Ele também teria perguntado onde ela morava, tentado marcar encontros e feito ligações insistentes.

Após o excesso de mensagens, a vítima decidiu bloquear o professor no WhatsApp. No entanto, ele teria passado a questionar outros alunos sobre a estudante, usado a própria mãe para enviar mensagens a ela e começado a utilizar outro número de telefone.

A vítima chegou a enviar uma mensagem pedindo que ele não a procurasse mais e voltou a bloqueá-lo. Mesmo assim, ele teria passado a enviar mensagens para ela pelo Instagram.

Ainda conforme o relato, a mulher de Saulo Tarso Rodrigues também teria enviado mensagens à estudante.

Em razão dos fatos, a vítima representou criminalmente contra o professor pelos crimes de importunação sexual e perseguição (stalking), além de solicitar medidas protetivas.

No início de julho, o juiz plantonista Marcos Terêncio Agostinho Pires deferiu o pedido. Segundo o magistrado, o relato da vítima indica a possibilidade de ameaça ou risco à sua integridade e à convivência pacífica.

Assim, determinou que o professor está proibido de se aproximar da vítima, de seus familiares e das testemunhas, devendo manter distância mínima de 500 metros.

Saulo Tarso Rodrigues também está proibido de manter contato com a vítima, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação. Além disso, não pode frequentar a residência nem o local de trabalho da estudante.

Stalking

No último dia 21 de julho, o juiz da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, Valter Fabrício Simioni da Silva, condenou o professor Saulo Tarso Rodrigues a 10 meses e 15 dias de prisão, em regime inicial aberto, além do pagamento de 15 dias-multa, pelo crime de perseguição (stalking) praticado contra a ex-esposa, no contexto de violência doméstica.

Ele também foi condenado ao pagamento de R$ 3 mil por danos morais à vítima.

Conforme a decisão judicial, o caso teve início após o fim de um relacionamento de aproximadamente 13 anos. Segundo a denúncia, entre setembro e outubro de 2022, o professor teria enviado diversos e-mails à ex-esposa insistindo em encontros presenciais, mesmo após ela informar que desejava manter contato apenas para tratar de assuntos relacionados aos filhos.

Na sentença, o magistrado apontou que as mensagens tinham tom intimidatório e que Saulo demonstrava conhecer a rotina da vítima.

O juiz também considerou relatos de ameaças anteriores contra a mulher e seus familiares, registrados no Formulário Nacional de Avaliação de Risco, além de menções ao possível uso de arma de fogo e de falas relacionadas a suicídio.

Nota da UFMT:

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) esclarece que o afastamento cautelar do docente mencionado foi determinado em caráter preventivo, por meio de portaria da Reitoria, no âmbito de procedimento administrativo instaurado pela Instituição.

A medida está relacionada à apuração de denúncia de condutas de assédio, insistência em contatos e ameaças envolvendo uma acadêmica do Curso de Direito, Campus Cuiabá.

O afastamento cautelar foi adotado para resguardar a estudante, preservar o ambiente universitário e garantir que a apuração dos fatos ocorra de forma imparcial e com a segurança necessária para todas as partes.

A UFMT esclarece, ainda, que esse procedimento administrativo é distinto da ação penal referente a fatos ocorridos na esfera privada e divulgados pela imprensa.

Em razão do sigilo legal aplicável aos procedimentos administrativos, a Universidade não divulgará outras informações sobre o caso neste momento.

A UFMT reafirma seu compromisso com a promoção de um ambiente universitário seguro, respeitoso e livre de qualquer forma de violência, assédio ou discriminação, assegurando que todas as denúncias sejam apuradas com responsabilidade, observando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.