CUIABÁ – Teve início na manhã desta terça-feira (29 de setembro de 2026), no Fórum de Cuiabá, a nova sessão do Tribunal do Júri que julga os três réus denunciados pelo assassinato do renomado advogado Roberto Zampieri, crime ocorrido em dezembro de 2023. O julgamento, presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal, foi retomado após ter sido suspenso em julho deste ano, ocasião em que o Conselho de Sentença precisou ser dissolvido devido aos problemas de saúde de um dos jurados.
No banco dos réus estão Antônio Gomes da Silva (apontado como executor confesso), Hedilerson Fialho Martins Barbosa (acusado de intermediar e fornecer o armamento) e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas (apontado como o financiador do crime). Os três respondem por homicídio triplamente qualificado e permanecem sob prisão preventiva.
Giovanne Santin reforça a banca de acusação
A grande novidade na dinâmica dos debates deste novo júri é o robusto reforço na bancada de acusação. Unindo-se aos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), está o advogado, renomado professor de Direito Penal e vice-presidente da OAB-MT, Giovanne Santin.
Atuando formalmente como assistente de acusação em representação aos interesses da família da vítima, a presença de Santin no plenário eleva a temperatura técnica do julgamento. Conhecido por seu profundo domínio doutrinário e vasta experiência na advocacia criminalista, o professor une forças com o órgão ministerial com o objetivo de sustentar as qualificadoras do crime e demonstrar a articulação minuciosa que resultou na execução de Zampieri.
Relembre o Crime e os Desdobramentos
Roberto Zampieri foi assassinado com diversos disparos de arma de fogo na noite de 5 de dezembro de 2023, logo após deixar o seu escritório no bairro Bosque da Saúde, na capital mato-grossense. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo MPMT, a motivação do homicídio estaria ligada a disputas de terras e decisões judiciais na região.
Mais do que o trâmite na esfera de crimes contra a vida, o celular apreendido da vítima gerou desdobramentos que sacudiram o cenário jurídico estadual e nacional, servindo de base para investigações da Polícia Federal que apuram um suposto mercado clandestino de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e em cortes superiores.
A expectativa no Fórum de Cuiabá é de que o julgamento se estenda por dias, dadas as oitivas de testemunhas e a complexidade das teses de defesa e acusação apresentadas pelas partes. O MT Contexto segue acompanhando todos os desdobramentos do julgamento diretamente do plenário.












