Ministro do STF está no epicentro da crise causada por revelações trazidas pelo inquérito da PF

Um relatório sigiloso da Polícia Federal aponta que o Banco Master transferiu R$ 3,42 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O contrato seria no valor de R$ 130 milhões em honorários.

 

O documento, produzido no âmbito da Operação Compliance Zero, registra que, em 8 de fevereiro de 2024, Angelo Silva encaminhou ao banqueiro Daniel Vorcaro um comprovante de transferência do Banco Master para uma conta do escritório no Banco Itaú. O pagamento foi de R$ 3.422.268,14 (veja abaixo).

 

As mensagens analisadas pela PF mostram ainda a preocupação de Vorcaro para que os pagamentos ao escritório fossem realizados sem atraso. Em uma conversa posterior, o banqueiro afirmou a uma funcionária identificada como “Romy Banco Master” que o pagamento ao Barci de Moraes não poderia “atrasar um dia”.

Segundo o relatório, Vorcaro classificou a despesa como “o pgto mais importante que temos” e acrescentou: “Pode pagar sempre, sem nota” e “Do jeito que for”. Na sequência, a funcionária enviou registro de outra transferência no mesmo valor, de R$ 3.422.268,14.

Em outra troca de mensagens, Angelo Silva informou ao banqueiro que faria o pagamento de forma antecipada e que a nota fiscal seria obtida posteriormente. A PF reproduz a mensagem: “pagar antecipado e depois pegamos a NF”.

 

O relatório também registra um novo pagamento de R$ 3.422.268,14 em 14 de julho de 2025. Meses depois, em outubro daquele ano, Alberto Felix informou Vorcaro de que o Barci de Moraes havia sido pago. O banqueiro então determinou que os repasses ao escritório não fossem feitos por Pix.

Contrato milionário

 

A relação entre o Banco Master e o escritório havia sido formalizada em janeiro de 2024. Segundo a PF, a versão final do contrato previa honorários mensais de R$ 3 milhões, e o documento foi assinado por Vorcaro em 23 de janeiro daquele ano.

 

A investigação da PF ressalta que o relatório apresenta elementos encontrados no celular apreendido de Vorcaro e que não realizou aprofundamento investigativo direcionado a magistrados ou integrantes do Ministério Público. O próprio documento afirma que a análise não é exaustiva e pode ser modificada com o avanço das investigações.

Contrato de R$ 108 milhões

A relação entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes havia sido formalizada em janeiro de 2024. Segundo a Polícia Federal, a versão final previa honorários de R$ 3 milhões por mês. Durante a negociação, Vorcaro questionou Fábio Faria sobre a duração do acordo e perguntou se havia fechado por três anos. Faria respondeu que seriam quatro anos, mas que poderia fazer três.

 

Considerado o prazo de três anos, ou 36 meses, o contrato alcançaria R$ 108 milhões em honorários. A versão final foi enviada a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024 e o contrato foi assinado no dia 23 daquele mês.

Trecho de conversa captado pela PF:

vivi moraes