Após o juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, autorizar a cópia integral de todos os documentos e provas colhidos pelas investigações do assassinato do advogado Roberto Zampieri, a defesa do advogado Peterson Venites Komel Júnior, acusado de ser responsável por recrutar o dono da arma usada na execução, informou falhas técnicas nos discos rígidos fornecidos pelo Estado, o que impediu a extração confiável dos dados pretendidos. Na mesma petição, assinada nesta sexta-feira (21), Peterson requereu ofício à Polícia Federal para que forneça cópia dos documentos e, por consequência, a dilação do prazo para apresentar resposta à acusação.

Nesta quinta-feira (20), o juiz autorizou a extração de cópias forenses de discos rígidos e ordenou que isso fosse feito sob acompanhamento de perito oficial da POLITEC, visando garantir a integridade e a rastreabilidade das evidências digitais. No mesmo dia, a defesa de Peterson diligenciou em busca da extração e compareceu às dependências do fórum, onde, na presença dos peritos, foi aberto o envelope contendo os dois discos. A diligência, contudo, não alcançou o seu objetivo, como certificado pela Gestão Judiciária, uma vez que, durante a tentativa de leitura do HD Seagate, com capacidade de armazenamento de 1TeraByte, não apresentou funcionamento normal na leitura de seus dados, ocasião em que não foi possível realizar a cópia.

Diante dessa paralisia processual causada pelo aparato estatal, os advogados requerem o envio dos dispositivos à perícia oficial para disponibilização em nuvem com validação de segurança, bem como que a Polícia Federal colabora com a extração da cópia.

Além disso, reforçou pedido pela revogação do monitoramento eletrônico de Peterson, sustentando que a manutenção da tornozeleira configura antecipação de pena e viola a dignidade do réu. A defesa enfatiza que o acusado já cumpriu restrições proporcionais à possível condenação, enquanto a investigação carece de bases empíricas sólidas sobre a suposta organização criminosa. Sobre o pedido de revogação da tornozeleira, o juiz entendeu prudente ouvir manifestação do Ministério Público antes de decidir.

O advogado Peterson é apontado como responsável por recrutar o dono da arma usada para assassinar o Roberto Zampieri, e de integrar o grupo miliciano Comando C4 (Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos).

Segundo as investigações, Peterson integrava o Comando C4 e seria um dos responsáveis pela aquisição de armamento para o grupo e vigilância tática de alvos de interesse do bando e, apesar de não ter sido evidenciado o envolvimento direto dele na morte Zampieri, foi ele quem arregimentou o empresário e CAC, Hdilerson Barbosa, como integrante da empreitada. Hedilerson, por sua vez, foi quem forneceu a arma usada no crime.

Além dele,  Salézia Maria de Oliveira e Mario Jorge Bucater também supostamente membros do Comando C4, ficaram incumbidos de “prestar socorro financeiro aos outrora denunciados, Antônio, Hedilerson e Caçadini, para que não apontassem o mandante do crime”, nos termos da denúncia ministerial.

Em maio, o órgão ministerial denunciou os nove envolvidos no assassinato de Zampieri. Conforme a acusação, oferecida pelos promotores de Justiça que integram o Núcleo de Defesa da Vida, Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, são apontados como mandantes do crime. Ambos foram denunciados pela prática de homicídio qualificado.

As investigações conduzidas inicialmente pela Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso e posteriormente aprofundadas pela Polícia Federal também resultaram na denúncia de Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas (líder do Comando C4 e financiador), Hedilerson Fialho Martins Barbosa (intermediário e dono da arma), Antônio Gomes da Silva (executor), Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater, apontados como integrantes da organização criminosa contratada para executar o advogado.

Zampieri foi morto no dia 5 de dezembro, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Antônio aguardou a vítima embaixo de uma árvore, por aproximadamente uma hora.

Quando Roberto saiu do escritório e entrou na picape Fiat Toro, foi surpreendido pelo atirador, que efetuou pelo menos dez disparos. Na ocasião, o jurista estava com R$ 11 mil no bolso.

A ação do criminoso foi registrada por câmeras de segurança instaladas em prédios residenciais. Nas gravações, é possível visualizar o atirador com uma caixa usada para tentar camuflar o armamento e abafar o som dos tiros. O objeto foi encontrado em frente a outro escritório de advocacia que fica nas proximidades.

Etevaldo, Hedilerson e Antônio chegaram a sentar no banco dos réus no dia 28 de julho. Contudo, um dos jurados passou mal e o Tribunal do Júri foi remarcado para 29 de setembro.