Coligação sustenta que condenação do TCU por irregularidades em convênio da Operação Sanguessuga

A coligação “Coração da Gente”, que tem o senador Wellington Fagundes (PL) como candidato ao Governo de Mato Grosso, acionou nesta terça-feira (18.08) o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) para tentar barrar o registro de candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à reeleição.

Na ação que tem como representante Alencar Farina (PL), a coligação de Fagundes cita uma condenação do Tribunal de Contas da União (TCU) relacionada a um convênio firmado em 2001 entre o Ministério da Saúde e a Prefeitura de Lucas do Rio Verde, quando Pivetta era prefeito e responsável pela ordenação das despesas do município.

O convênio previa o repasse de recursos federais para a aquisição de uma unidade móvel de saúde. O TCU, porém, considerou as contas irregulares e determinou que Pivetta devolvesse R$ 17.387, além do pagamento de R$ 10 mil em multa, em conjunto com Luiz Antônio Trevisan Vedoin e a empresa Santa Maria Comércio e Representação Ltda, apontados no processo como integrantes do grupo envolvido nas fraudes investigadas pela Operação Sanguessuga.

Segundo a ação apresentada ao TRE-MT, o TCU apontou irregularidades como direcionamento da licitação, ausência de pesquisa prévia de preços e contratação por valor superior ao praticado no mercado. A decisão administrativa tornou-se definitiva em março de 2015.

 

Condenação ficou suspensa por decisão judicial

 

Apesar de a condenação do TCU ter se tornado definitiva em 2015, uma decisão da Justiça Federal de Sinop, proferida em março de 2018, suspendeu os efeitos da condenação.

Na prática, a suspensão impediu que a decisão do TCU produzisse determinados efeitos contra Pivetta durante aquele período. Foi com essa decisão judicial em vigor que os registros de candidatura dele foram deferidos nas eleições de 2018 e 2022.

O cenário mudou em 28 de agosto de 2024, quando a 12ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) reformou a decisão de primeira instância e restabeleceu os efeitos dos julgamentos do TCU.

É justamente a partir dessa mudança que a coligação sustenta que a condenação voltou a produzir efeitos para fins eleitorais e poderia impedir Pivetta de disputar a eleição de 2026.

Nas eleições de 2018 e 2022, entretanto, a situação foi diferente porque a decisão judicial que suspendia os efeitos da condenação ainda estava em vigor.

Agora, a coligação argumenta que, como essa decisão foi posteriormente derrubada pelo TRF-1, deixou de existir o fundamento judicial que havia permitido os registros de Pivetta nas duas eleições anteriores.

 

Ação tenta demonstrar que houve dolo

Outro ponto central da impugnação é a tentativa de demonstrar que as irregularidades não decorreram de um simples erro administrativo.

Os advogados da coligação sustentam que Pivetta teria atuado de forma consciente nas irregularidades apontadas pelo TCU. A petição menciona, entre outros pontos, a escolha de uma modalidade de licitação considerada mais restritiva, a definição das empresas convidadas, a ausência de pesquisa prévia de preços e a contratação por valor superior ao praticado no mercado.

Com base nesses elementos, a coligação afirma que houve uma sequência de atos voluntários, e não apenas falhas burocráticas ou administrativas.

A argumentação busca demonstrar a existência do dolo específico, requisito que passou a ter maior relevância após as mudanças na legislação de improbidade administrativa e que é apontado pela coligação como necessário para caracterizar a inelegibilidade.

Coligação quer bloquear dinheiro público

Além de tentar impedir o registro de candidatura, a coligação de Wellington Fagundes pediu ao TRE-MT uma decisão urgente para impedir Pivetta de utilizar recursos públicos na campanha enquanto a ação não for definitivamente julgada.

O pedido envolve especificamente valores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário.

A justificativa apresentada é de que, caso a candidatura venha a ser considerada irregular posteriormente, poderia haver dificuldade para recuperar integralmente os recursos públicos eventualmente utilizados durante a campanha.

Segundo a ação, a medida não pretende impedir Pivetta de utilizar recursos de origem privada.