Joarez Candido Silva passou oito minutos no telefone com Fabiano Oliveira Borges, apontado como assassino de Ana Cristina Pacheco Matos

O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelas investigações do feminicídio de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, assassinada no último sábado (15) com um tiro na nuca dado pelo namorado, Fabiano Oliveira Borges, vulgo “Pepi”, desconfia da versão apresentada pelo subtenente do 9º Batalhão da Polícia Militar Joarez Candido Silva, investigado por suposto envolvimento na fuga do feminicida. O crime ocorreu no Bairro Alvorada, em Cuiabá.

Em depoimento prestado na DHPP na manhã de hoje (17), o PM esclareceu uma mensagem enviada por ele ao assassino pouco após o crime e uma ligação de oito minutos feita pelo assassino para o policial. De acordo com a versão apresentada por Joarez, ele conhecia Fabiano porque ele era proprietário da loja PepiCell Assistência Técnica e arrumava seu celular. O militar alega que entrou em contato com ele para tentar prendê-lo, na esperança de que ele se entregasse.

Bruno Abreu, contudo, não acredita que o PM tenha falado a verdade no depoimento.

“Ele ficou oito minutos no telefone e a versão dele é que ele estava tentando fazer com que o cara se entregasse. Agora, um suspeito que acaba de matar uma ex-namorada falando no telefone com um policial militar, eu acho difícil um suspeito ficar oito minutos no telefone com um policial militar dando essa brecha de ficar esse tempo todo no telefone”, disse.

À imprensa, o delegado supôs que o feminicida confiava no policial para ficar oito minutos no telefone com ele sem medo de estar sendo rastreado.

“Confiava nele, provavelmente, porque oito minutos no telefone dá tempo de você às vezes rastrear, tem várias formas de conseguir identificar a pessoa e tentar prender. Eu acredito que o suspeito não ia ficar realmente no telefone com um estranho””, afirmou.

Fabiano matou Ana Cristina por volta das 6h de sábado, na kitnet onde ela morava, no bairro Alvorada, e fugiu logo em seguida. Ainda de acordo com o delegado, o PM, que está de licença do serviço, ficou sabendo do crime às 10h40, após a comandante de seu batalhão enviar uma mensagem em um grupo de WhatsApp pedindo esforços policiais para capturar o feminicida.

Imediatamente, Joarez enviou uma mensagem para Fabiano. Alguns minutos depois, o assassino ligou para o PM.

Para Bruno Abreu, se o militar tivesse informado aos superiores que estava em contato com o feminicida, provavelmente ele estaria preso.

“Ele estava em contato com o suspeito e não passou a ninguém, nenhuma informação. Se ele tivesse passado eu acredito que a gente poderia estar com ele preso, porque estava falando com ele no telefone e naquela hora ali ele ainda estava na cidade”, declarou.

Em entrevista, o delegado disse também que, durante o depoimento do subtenente Joarez Candido Silva, outro policial militar esteve presente e questionou se ele estava tentando prender Fabiano por conta própria a fim de receber alguma bonificação, e ele deixou claro que esse seria um dos motivos.

“Pelo visto, ele deixou claro que ele queria ser talvez o herói da prisão, mas mesmo assim a gente não acredita nisso”, destacou Bruno Abreu.

Também nesta manhã, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na loja PepiCell. No local, os policiais encontraram o estabelecimento arrombado e revirado.

A ordem judicial era para que todos os aparelhos eletrônicos, como computadores e celulares, fossem apreendidos, mas nenhum equipamento foi encontrado no local.

Ao RepórterMT, o delegado Bruno Abreu, responsável pelo caso, informou que foi apreendido apenas o coldre do revólver que foi utilizado no crime. Além do mandado de busca e apreensão, a Justiça decretou a prisão temporária de 30 dias contra Fabiano Oliveira Borges.