O acordo focou na autonomia dos gestores nos municípios, estabelecendo que eles não precisam subir no palanque de Wellington e Janaina, desde que mantenham a neutralidade e evitem palanque paralelo para o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A cúpula nacional do PL fechou um acordo de bastidores para conter os ânimos em Mato Grosso e liberou formalmente os prefeitos do partido da obrigação de fazer campanha para o candidato ao Governo do Estado, senador Wellington Fagundes (PL).
A autorização para a neutralidade dos prefeitos formaliza um esvaziamento que já vinha se desenhando. Na convenção estadual do PL, rejeição a Wellington ficou evidente com a ausência de 18 dos 22 prefeitos filiados à legenda no estado, um índice de abandono de 81%.
Na ocasião, apenas quatro subiram no palanque de Wellington, enquanto lideranças de polos econômicos de peso, como Cláudio Ferreira (Rondonópolis) e Edilson Piaia (Campo Novo do Parecis), já haviam declarado apoio ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Com a cartada de Valdemar em Brasília, a resistência dos gestores do interior ganha respaldo oficial para não fazer campanha ao senador.
A medida beneficia também os que rejeitam a aliança majoritária com a deputada estadual Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado e nora de Wellington. O arrajo para apoiá-la eclodiu uma crise que terminou após reunião emergencial em Brasília nessa segunda-feira (3) conduzida pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, com a participação do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), do deputado federal José Medeiros (PL) e do empresário Odílio Balbinotti Filho.
O acerto garantiu a permanência dos insatisfeitos no partido sem a ameaça de punições ou processos disciplinares por se recusarem a pedir votos para a chapa com MDB.
O
apurou que o acerto focou na autonomia dos gestores nos municípios, estabelecendo que eles não precisam subir no palanque de Wellington e Janaina, desde que mantenham a neutralidade e evitem palanque paralelo para o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
“Na verdade, ele liberou os prefeitos da obrigação de apoiar o Wellington. Evidentemente, pediu para evitar ataques ao Wellington e apoio explícito em público. Resumo de tudo: nós pra cá, MDB para lá. Prefeitos autorizados a ficarem neutros“, explicou Medeiros.
A insatisfação com o MDB na chapa, da ala liderada por Abilio e Medeiros, ganhou força por conta da aproximação do PL com figuras históricas da oposição nos municípios, como Eduardo Botelho em Cuiabá, Kalil Baracat em Várzea Grande, Thiago Silva em Rondonópolis e Léo Bortolin em Primavera do Leste. A vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Costa, se filiou ao MDB após racha com Abilio.
Em contrapartida, a ala alinhada a Wellington defende a composição com Janaina Riva como um movimento estratégico para ampliar o tempo de rádio e TV e fortalecer a musculatura política no interior, principalmente para fortalecer a campanha de Flávio Bolsonaro.
Com a manobra de Valdemar Costa Neto, o PL mantém formalmente a coligação com o MDB para a disputa governamental, mas oficializa a divisão interna no estado. Wellington Fagundes e Janaina Riva seguem com o palanque oficial, enquanto os prefeitos e lideranças do bolsonarismo atuam de forma isolada, desobrigados do apoio majoritário.
Fonte : RP












